quarta-feira, 20 de abril de 2016

Narcos – 1ª Temporada: Série Mostra a Evolução do Tráfico de Cocaína pelos Estados Unidos

Pablo Emilio Escobar Gaviria foi um dos narcotraficantes mais famosos e poderosos do mundo, se é que não foi o maior de todos os tempos. A Netflix juntamente com a Gaumont International Television lançaram em 2015 a primeira temporada contendo 10 episódios da série chamada Narcos, contando toda a trajetória de Escobar e como ele dominou a Colômbia com mãos de ferro.

Logo da Série

A série gira em torno dos relatos do agente do DEA (Drug Enforcement Administration, algo como Órgão para Controle/Combate das Drogas), o agente Steve Murphy (o bom Boyd Holbrook, quase um clone do Jesse Spencer, o eterno Dr. Chase da excelente série House), no combate contra Escobar e sua gangue juntamente com o auxílio do governo colombiano. Narcos é totalmente baseada em fatos verídicos da época. Muitas vezes são mostradas fotos e vídeos originais durante os episódios.

Agente Murphy, o cara atrás de Escobar
José Padilha, diretor de Tropa de Elite e Tropa de Elite 2, repete mais uma vez aqui a dobradinha de sucesso com Wagner Moura e entregam um produto de altíssima qualidade, viciante e que nos faz parar para refletir o tempo inteiro. Aliás, isso é algo que já se tornou rotineiro nos trabalhos de Padilha: colocar o povo para refletir sobre o que ocorre no nosso dia a dia, nas manipulações que sofremos e como a violência gera diversos desdobramentos.

Pablo Emilio Escobar Gaviria
Mas, vamos abordar o elenco da série, que é sensacional e multicultural. Temos brasileiros, americanos, colombianos, chilenos, mexicanos, e por aí vai. Evidentemente que o grande destaque dessa mistura de atores é Wagner Moura. O cara é simplesmente um monstro. Ele conseguiu retratar Pablo Escobar com perfeição, o mostrando como uma figura carismática, de família e em determinados momentos, até heroico, mas também mostrou a faceta fria, cruel, violenta e assassina do narcotraficante. Minha cena favorita de toda a série é a apresentação do personagem no primeiro episódio, onde ele se apresenta para os oficiais que faziam a patrulha numa ponte. As ameaças veladas desta cena já mostram o modo que o traficante lidava com as pessoas e com os problemas também. Pablo era inteligente ao extremo, pena que para o lado ruim. Ah! Quanto à questão do sotaque de Wagner com o espanhol: achei uma tremenda babaquice o que criticaram ele. Não afetou em absolutamente nada a atuação dele. Pode não ter sido o melhor espanhol do mundo, mas não atrapalhou em nada.

Pablo Escobar, carismático, mas um assassino frio
Sebastián, filho de Pablo, reclamou que a série glamourizou os crimes do pai. Chris Brancato, um dos criadores da série, deu uma declaração dizendo que a culpa do povo ter visto Escobar como um herói foi devido a excelente atuação de Wagner Moura, que com todo seu carisma e apelo, assim como o próprio Escobar também tinha, fez com que as pessoas achassem isso dele. E olha que Brancato não gostava muito da forma de narração de Padilha e torceu o nariz para a escolha de Wagner para o papel principal. Chupa, Brancato! Eu mesmo me identifiquei com muitas coisas de Pablo no começo da série, mas conforme os episódios vão passando, vamos vendo como Escobar vai mudando e intensificando sua violência e seu modo de comandar com mãos de ferro e sangue frio, a ponto de colocar crianças armadas para entrar para seu exército particular, colocar bombas espalhadas pela Colômbia, matar vários inocentes, entre tantas outras atrocidades.

Pablo em reunião com o Cartel de Medellín
Outro personagem que muda bastante ao longo da série é o agente Murphy do DEA, que vem dos Estados Unidos para tentar acabar com o tráfico de drogas, pois este já estava abalando a economia americana, algo que os americanos não poderiam tolerar. Dinheiro americano fica nos Estados Unidos. Quando mexeu na economia, aí sim os americanos resolveram se movimentar, afinal de contas, era um negócio que movimentava mais de U$ 420 milhões por semana! Por semana!!! Imaginem isso! Em determinado momento, Escobar chegou a ser o sétimo homem mais rico do mundo. 80% da cocaína fornecida pelo mundo afora vinha de Pablo Escobar. Voltando ao agente Murphy, ele começa certinho, dentro da lei, e ao longo da temporada vai mudando radicalmente, chegando ao ponto de puxar uma arma para um civil no meio da rua por causa de um acidente de trânsito bobo. 

Da esquerda para direita: Coronel Carrillo (Mauricie Compte), Murphy e Peña
Javier Peña, interpretado por Pedro Pascal, o eterno Oberyn de Game of Thrones, também é um personagem muito interessante. Peña é um agente do DEA que já está infiltrado na Colômbia há um bom tempo. Tempo suficiente para saber como funcionam as coisas por lá. Ele possui muitos informantes e é capaz de qualquer coisa para prender Pablo Escobar, qualquer coisa mesmo. 

Javier Peña, possui uma rede de informantes e quer prender Escobar acima de qualquer coisa
A ação, investigação e os dramas apresentados pelos personagens dão mais peso ainda a toda trama. Tanto que os 10 episódios passam num piscar de olhos e logo ficamos sentindo falta da série, e por incrível que pareça, de Escobar também. A maquiagem feita em Wagner Moura nos últimos episódios é perfeita e realmente dão a impressão de estarmos vendo um Pablo mais velho e mais gordo. Por falar nisso, Moura teve que engordar 18 quilos para o papel.

Wagner Moura com a maquiagem para envelhecê-lo
A série aborda o começo do contato de Pablo com a cocaína, o início do tráfico para os Estados Unidos, a união com o grupo radical M-19, seu envolvimento com a política, os atentados a bomba, a formação do Cartel de Medellín, a guerra contra a extradição dos traficantes, a formação de La Catedral, entre tantos outros eventos importantes que ocorreram. A segunda temporada já foi gravada e já foi afirmado que Escobar morrerá nesta temporada, porém, a série continuará e provavelmente contará a história de outros traficantes. Da forma que acaba a primeira temporada, só podemos ficar mais ansiosos e torcer para a segunda temporada estrear de uma vez!

A cena da ponte: minha predileta
A música de abertura da série, “Tuyo”, interpretado por Rodrigo Amarante, integrante da banda Los Hermanos, é muito viciante e gostosa de se ouvir. Me viciei rapidinho e ela já está no meu mp3 para ouvir sempre que der vontade. Podem ouvir que garanto que irão se viciar também. Este ano, estreará a segunda temporada de Narcos! Que ela venha logo então, pois estou muito ansioso! E é bom que não demore muito! Plata o plomo!!!!

"Plata o plomo!"
Um grande abraço!

quarta-feira, 13 de abril de 2016

Justiceiro Massacra o Universo Marvel – Uma Visão Diferente sobre Frank Castle, e até Certo Ponto, Interessante

E aí, galera? Como estão? Pegando onda no sucesso que o personagem está fazendo na segunda temporada de Marvel´s Daredevil, resolvi ler alguma história sobre Frank Castle, o Justiceiro, para entrar no clima da nova temporada. De uma forma muito casual, peguei a primeira revista do personagem que estava a minha frente, e era Justiceiro Massacra o Universo Marvel, escrita por Garth Ennis (o cara que escreveu Preacher, Hellblazer, entre tantos outros sucessos) em 1995. É uma história curta, com menos de 50 páginas e pertence aquela boa e velha linha do “E se....”.

Capa da Revista
A história é basicamente a mesma: Frank Castle tem sua família morta e decide se vingar de todos os envolvidos na morte de sua esposa e filho. Mas, aqui, ao invés de criminosos terem assassinado a família de Castle durante um tiroteio, ela é vítima de uma batalha entre os Vingadores e X-Men. Ao testemunhar tudo, Frank começa uma caçada contra todos os super seres que existem na face da Terra.

Primeira reação de Frank ao ver sua família morta
Como dito no título desta “matéria”, é uma visão diferente sobre o Justiceiro, e até certo ponto, interessante. O que me agradou demais foi o fato de usarem algo que a série Marvel´s Jessica Jones e o filme Batman vs Superman – A Origem da Justiça já abordaram: o que acontece com as pessoas comuns, sem poderes, que sofrem com as grandes batalhas que os seres mais poderosos do planeta travam? Como lidam com as perdas e consequências? O que fazer quando você, por exemplo, é vítima de um confronto entre Colossus e Rhino?

Até o Aranha caiu na "teia" do Justiceiro
Aqui, um grupo de vítimas dessas batalhas se reúne para contratar os serviços do Justiceiro, financiarem sua vingança e o pagam para dizimar com todos os super seres, sejam eles heróis ou vilões. Até aí, achei muito legal e interessante, mas o restante da história é meio sem graça, com realmente o Justiceiro matando um a um os personagens da Marvel com bastante violência, sangue frio e inteligência.
Algumas das vítimas dos embates entre super seres
O grande desfecho de toda essa trama cabe a um encontro entre Justiceiro e Demolidor (sempre esses dois, não?), onde é colocado um ponto final nas matanças. Diria que é uma história regular, mas que vale a pena ser conferida por ter sido escrita por Garth Ennis e por mostrar uma visão diferente do Justiceiro e de sua eterna sede por vingar sua família. E agora, que venha Jon Bernthal (o eterno Shane de The Walking Dead) com seu Frank Castle/Justiceiro na segunda temporada de Marvel´s Daredevil!!!

O Justiceiro de "Marvel´s Daredevil"
Um grande abraço!